Metodologia editorial

Nesta página detalhamos os critérios usados para lidar com mitos, lendas e tradições dentro do acervo, para que fique claro o que você está lendo e de onde vem cada informação.

1. Tradição oral não é documento histórico

Causos, mitos e lendas fazem parte da cultura oral — não são relatos de fatos comprovados, mas sim maneiras de dar sentido ao mundo, transmitir valores entre gerações, explicar fenômenos naturais e dar forma a medos coletivos. Por isso você vai encontrar aqui expressões como "segundo a tradição", "diz a lenda" e "há quem conte que". Quando algum dado histórico verificável aparece em um verbete — a data de registro de uma festa como patrimônio, por exemplo — ele é apresentado separado da parte lendária do texto.

2. Nem toda história tem uma versão só

Ao passar de geração em geração, dificilmente uma narrativa chega inteira e sem mudanças. Por isso, cada verbete inclui um trecho chamado Versões da história, reunindo as variantes mais difundidas e apontando a região de cada uma. Não elegemos uma versão como a definitiva. Quem quiser comparar diretamente pode usar o comparador de versões.

3. De onde vêm as informações

Escrevemos os textos deste guia do zero, mas sempre apoiados em obras consagradas dos estudos do folclore nacional — entre elas as de Luís da Câmara Cascudo (Dicionário do Folclore Brasileiro, Geografia dos Mitos Brasileiros), Couto de Magalhães (O Selvagem), além de Sílvio Romero, Mário de Andrade, João Simões Lopes Neto, Barbosa Rodrigues, Monteiro Lobato e os dossiês de registro do IPHAN. As fontes usadas em cada verbete estão listadas no final do texto.

Vale lembrar que boa parte dessa bibliografia foi produzida por pesquisadores de fora das comunidades retratadas, principalmente no que toca aos povos indígenas — e destacamos isso no texto sempre que fizer diferença para a compreensão da história.

4. Cuidado com povos indígenas e matrizes africanas

Não existe "o" povo indígena brasileiro: são muitos povos, cada um com idioma e cosmovisão próprios. Por isso evitamos frases genéricas como "os índios acreditavam" e, quando possível, nomeamos o povo ou tronco cultural ligado a cada narrativa. Da mesma forma, deixamos explícito quando uma versão conhecida é, na realidade, fruto de uma reinterpretação feita por autores de fora — caso, por exemplo, do chamado "panteão tupi", montado no século XIX. As tradições de origem africana recebem tratamento equivalente, reconhecidas aqui como patrimônio religioso e cultural legítimo.

5. Como organizamos o acervo

Todo verbete é marcado com um tipo (personagem, criatura, lenda, história de origem, festa ou elemento), uma ou mais categorias, as regiões e estados onde a narrativa é mais presente, as matrizes culturais de onde ela vem e uma série de traços — lugar, horário, forma, comportamento, tema. Esses traços alimentam diretamente a ferramenta Descubra uma lenda. Pense nessa organização como um mapa para se orientar: no universo do folclore, nenhuma fronteira entre categorias é totalmente rígida.

6. Como sugerir mudanças

Este acervo nunca para de crescer. Encontrou um erro, conhece uma versão diferente de alguma lenda ou tem um verbete para sugerir? Use o link "Envie uma sugestão" disponível em qualquer página, ou mande uma mensagem pela página de contato. Toda contribuição recebida é avaliada antes de entrar no acervo.